MUDANÇA DE METOLOGIA               

 

   


MUDANÇA DE METODOLOGIA DO LABORATÓRIO OSWALDO CRUZ

Para a determinação da hemoglobina glicada, o Laboratório Oswaldo Cruz implementou recentemente a metodologia HPLC – Cromatografia Líquida de Alta Performance, por troca iônica, em um sistema analítico fornecido pela Tosoh Bioscience Inc., no equipamento A1C 2.2 Plus.

Esta mudança se deu com o objetivo de melhorar ainda mais o desempenho do sistema analítico , permitindo uma melhor aplicação dos conceitos e princípios estabelecidos no posicionamento oficial - 2009, elaborado pelo Grupo Interdisciplinar de Padronização da Hemoglobina Glicada A1C1.

Este é um conjunto diagnóstico registrado na ANVISA e certificado pelo NGSP – National Glycohemoglobin Standardization Program apresentando um coeficiente de variação interensaio inferior a 5%, e não sofre interferência de Traços de HbC, HbS, HbD, Hb Fetal elevada e de Hb carbamilada, sendo considerada uma metodologia de referência para este analito.


VALORES DE REFERÊNCIA

Para este método, o intervalo de referência é de 4% a 6%. A utilização desta metodologia certificada pelo NGSP com rastreabilidade de desempenho analítico em relação aos estudos do DCCT - Diabetes Control and Complications Trial , permite adotar o valor inferior a 7% como meta para o efetivo controle do paciente diabético, conforme a American Diabetes Association (ADA) ou ainda 6,5% conforme a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD). Importante ressaltar que este valor não é de referência, mas um valor acima do qual os riscos de desenvolvimento de complicações micro e macrovasculares da doença são significantemente elevados.

A partir da hemoglobina glicada dosada é calculado um valor correspondente à glicose média estimada para os últimos 2 a 3 meses, através de uma equação matemática. O grupo de estudo denominado A1c-Derived Average Glucose (ADAG), determinou uma fórmula para este cálculo da glicemia média estimada:
Glicose média estimada (mg/dL) = 28,7 x A1C – 46,7


CONCEITOS APLICÁVEIS


Nesta atualização sobre Hemoglobina glicada, serão revistos alguns conceitos estabelecidos pelo Grupo Interdisciplinar de Padronização da Hemoglobina Glicada A1C, em seu posicionamento oficial - 2009.1

O termo genérico “Hemoglobina Glicada” se refere a um conjunto de substâncias formadas a partir de reações entre a Hemoglobina A (HbA) e alguns açúcares. A mais importante dessas hemoglobinas no que concerne ao diabetes, é a fração A1C (HbA1c) . Dependendo do método de análise laboratorial, a A1C corresponde a cerca de 3 a 6% da HbA1 total em pessoas normais, alcançando até 20% ou mais em diabéticos mal-controlados. A ligação entre a HbA e a glicose é um tipo de glicação não-enzimática contínua, lenta e irreversível. Entretanto, a primeira fase da reação entre a glicose e a hemoglobina é reversível e origina um composto intermediário denominado pré-A1C, HbA1c lábil ou instável. A segunda fase resulta em um composto estável, não mais dissociável, agora denominado de HbA1c ou, simplesmente A1C.

NOMENCLATURAS PADRONIZADAS

O Grupo Interdisciplinar de Padronização da Hemoglobina Glicada A1C, em seu posicionamento oficial - 2009 recomenda os termos “hemoglobina glicada” ou “A1C” . Outros termos usados no contexto do estudo da glicação da hemoglobina e que podem ou não ter os mesmos significados. Os mais comumente vistos são: hemoglobina glicosilada, hemoglobina glucosilada, glicohemoglobina, fração rápida da hemoglobina, HbA1c, A1c e A1C, entre outros . Este Posicionamento Oficial utiliza o termo “hemoglobina glicada” como sinônimo de HbA1c ou A1C.

INTERFERENTES ANALÍTICOS

Algumas hipóteses devem ser consideradas quando o resultado da hemoglobina glicada não se correlacionar, adequadamente, com o estado clínico do paciente:

• As doenças que cursam com anemia hemolítica ou estados hemorrágicos podem resultar em valores inapropriadamente
diminuídos por encurtarem a meia-vida das hemácias.
• Situações que interferem na meiavida das hemácias, na realidade, diminuem, sensivelmente, o poder diagnóstico da hemoglobina glicada em refletir a média (ponderada) dos níveis pregressos de glicose e não devem ser consideradas
como interferentes diretos sobre a metodologia utilizada.
• A anemia por carência de ferro, vitamina B12 ou folato pode resultar em valores inapropriadamente elevados da hemoglobina
glicada
• A presença de grandes quantidades de vitaminas C e E é descrita como fator que pode induzir resultados falsamente diminuídos por inibirem a glicação da hemoglobina.
• Hipertrigliceridemia, hiperbilirrubinemia, uremia, alcoolismo crônico e ingestão crônica de opiáceos podem interferir em algumas metodologias produzindo resultados falsamente elevados.
• Hemoglobina quimicamente modificada pode estar presente nos pacientes urêmicos, produzindo um composto denominado
hemoglobina carbamilada, resultado da ligação da uréia à hemoglobina. Os pacientes que fazem uso de elevadas quantidades
de ácido acetilsalicílico produzem a hemoglobina acetilada. Ambos os elementos podem interferir na dosagem da hemoglobina
glicada, produzindo resultados falsamente elevados .
• A dosagem de hemoglobina glicada em pacientes portadores de hemoglobina variante heterozigótica (exemplos: hemoglobina C, S, E, D, Fetal, Graz, Sherwood Forest, Padova) resulta valores falsamente elevados ou diminuídos, conforme a metodologia aplicada . Alguns métodos, baseados na cromatografia por troca iônica, podem identificar a presença de
alguns tipos de hemoglobinas variantes, permitindo uma análise mais criteriosa do resultado. Os métodos que utilizam o princípio do imunoensaio não são capazes de detectar a presença das diferentes hemoglobinas variantes.
• A quantificação da hemoglobina glicada não é aplicável nas hemoglobinopatias homozigóticas, independente da
metodologia utilizada, em função da ausência de hemoglobina A. Esta condição necessita ser rastreada e confirmada pelos métodos usuais para o estudo das hemoglobinopatias . Nestas situações, exames alternativos, tais como frutosamina e albumina glicada podem ser utilizados.
• A base de Schiff, que é a fração lábil da hemoglobina glicada, pode representar importante interferente na dosagem, na dependência do método utilizado. O laboratório deve se certificar da potencial interferência deste composto na metodologia adotada. Para as metodologias afetadas pela fração lábil, deve-se seguir, rigorosamente, as instruções do fabricante para remoção deste interferente.

Para informações mais detalhadas, pode ser consultado o texto integral do posicionamento oficial 2009, conforme referência abaixo, ou entrar em contato diretamente com o laboratório, estaremos à sua disposição.

Referências Bibliográficas :
1 - GRUPO INTERDISCIPLINAR DE PADRONIZAÇÃO DA HEMOGLOBINA GLICADA (A1C). Posicionamento Oficial (versão 2009). Atualização sobre hemoglobina glicada (A1C) para avaliação do controle glicêmico e para o diagnóstico do diabetes: aspectos clínicos e laboratoriais.
Disponível em:
< http://www.sbpc.org.br/profissional/noticia.diverso.php?id=55&tp=3 >.